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PANTANAL SOB PRESSÃO: BARCAÇA CARREGADA DE MINÉRIO AFUNDA NO RIO PARAGUAI.
Por Administrador
Publicado em 31/10/2026 17:52
GERAL
PANTANAL SOB PRESSÃO: BARCAÇA CARREGADA DE MINÉRIO AFUNDA NO RIO PARAGUAI.
 
 
Acidente aconteceu durante carregamento no Porto Gregório Curvo, em Porto Esperança. Dois trabalhadores pularam na água para escapar. Marinha abriu investigação. Episódio ocorre poucos dias depois de denúncia envolvendo lama em nascente utilizada por comunidade tradicional.
 
O Rio Paraguai, um dos principais patrimônios naturais do Pantanal e fundamental para a sobrevivência de milhares de pessoas, foi palco de mais uma ocorrência envolvendo atividades de mineração neste sábado (31). Uma barcaça carregada com minério se partiu e afundou durante uma operação de carregamento no Porto Gregório Curvo, localizado no distrito de Porto Esperança, em Corumbá (MS).
 
O acidente provocou o espalhamento de minério nas águas do Rio Paraguai. Imagens registradas após o afundamento mostram uma mancha avermelhada nas proximidades do terminal portuário, operado pela LHG Mining.
Dois trabalhadores que estavam na embarcação precisaram pular na água durante o acidente. Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de feridos.
 
A quantidade de minério que chegou ao rio e a extensão da área atingida ainda não foram oficialmente divulgadas. Também não há, até o momento, laudo técnico que determine os impactos ambientais provocados pelo material dispersado.
 
MARINHA ABRE INVESTIGAÇÃO
 
A Capitania Fluvial do Pantanal, órgão da Marinha do Brasil, instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as circunstâncias do afundamento, identificar as possíveis causas e verificar eventuais responsabilidades.
 
Em nota, a Capitania informou que acompanha a situação e poderá adotar as medidas necessárias para garantir a segurança da navegação e prevenir possíveis danos ambientais.
 
LHG DIZ QUE BARCAÇA É DE EMPRESA PARCEIRA
 
Em manifestação sobre o ocorrido, a LHG Mining informou que a embarcação pertence a um armador parceiro e declarou que está apurando as causas do incidente, além de colaborar com as autoridades na investigação e na adoção das providências cabíveis.
 
A declaração da empresa, entretanto, não encerra os questionamentos sobre a ocorrência. É necessário esclarecer como aconteceu o afundamento, quanto minério foi lançado no rio e quais medidas serão adotadas para avaliar e, se necessário, reparar os danos ambientais.
 
DOIS EPISÓDIOS EM POUCOS DIAS ACENDEM ALERTA
 
O acidente acontece poucos dias depois de outra ocorrência envolvendo sedimentos avermelhados em recursos hídricos da região de Corumbá.
 
Moradores da comunidade tradicional Antônio Maria Coelho denunciaram que, após fortes chuvas, água com lama e sedimentos chegou à nascente utilizada pelas famílias, comprometendo o abastecimento doméstico.
Na ocasião, a LHG Mining atribuiu o problema ao escoamento de água das estradas durante as chuvas e informou que prestava assistência aos moradores.
 
Agora, com o afundamento da barcaça e o espalhamento de minério no Rio Paraguai, cresce a preocupação com a segurança ambiental das áreas próximas às operações de mineração e transporte de cargas na região pantaneira.
São duas ocorrências distintas, em locais diferentes, mas que colocam em evidência a necessidade de fiscalização, transparência e respostas concretas sobre os possíveis impactos das atividades minerárias.
 
BR-262: O OUTRO LADO DA CONTA QUE A POPULAÇÃO PAGA
 
Mas a preocupação com a mineração na região não termina nas águas do Rio Paraguai.
 
 
O transporte de minério também levanta questionamentos sobre os impactos provocados pelo intenso tráfego de caminhões pesados na BR-262. As carretas que fazem o percurso até Porto Esperança transportam grandes volumes de minério, com veículos que podem ultrapassar 70 toneladas de peso bruto, conforme a configuração e a carga transportada.
 
O resultado é uma cobrança cada vez maior por fiscalização, manutenção e responsabilidade sobre as condições da rodovia. O pavimento da BR-262 enfrenta problemas em diferentes trechos, e o tráfego de veículos pesados precisa ser considerado no planejamento de conservação e recuperação da estrada.
 
A situação também chama atenção para a ponte sobre o Rio Paraguai, cuja estrutura passa por obras de recuperação. É fundamental que sejam esclarecidas as condições estruturais da ponte, os limites de carga e a participação do tráfego pesado nas necessidades de manutenção.
 
A população não pode ficar à mercê de uma operação econômica sem respostas claras sobre seus custos ambientais e de infraestrutura.
 
Enquanto o minério segue sendo transportado por rodovias e embarcações, moradores, motoristas, pescadores e comunidades tradicionais precisam conviver com os riscos e os impactos dessas atividades.
 
Quem fiscaliza? Quem acompanha os danos? Quem paga pela recuperação dos recursos naturais e da infraestrutura pública quando são constatados prejuízos?
São perguntas que precisam de respostas das autoridades responsáveis.
 
O PANTANAL NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA
O Rio Paraguai não é apenas uma rota de transporte de cargas. É fonte de vida, sustento de pescadores, comunidades ribeirinhas, atividade turística e equilíbrio de um dos ecossistemas mais importantes do planeta.
 
O que aconteceu no Porto Gregório Curvo exige investigação rigorosa, transparência na divulgação dos resultados e avaliação independente dos possíveis danos ambientais.
 
Não basta informar que uma barcaça afundou. É preciso esclarecer o que aconteceu, quanto minério atingiu o rio, quais são os riscos e quem responderá caso sejam comprovadas irregularidades.
 
O desenvolvimento econômico é importante, a geração de empregos é necessária e a atividade mineral tem seu papel na economia regional. Mas nenhum empreendimento pode estar acima da legislação ambiental, da segurança da população e da preservação do Pantanal.
 
Corumbá, Ladário e todo o Pantanal precisam de respostas. A população não pode ficar sozinha diante de problemas que envolvem recursos naturais, infraestrutura pública e atividades econômicas de grande porte.
 
O Pantanal é patrimônio de todos. Sua preservação não pode ser tratada como um detalhe no caminho do minério.
 
 
Depaula Neto, Jornalista. DPN NEWS — Muito além da notícia.
 
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